Morte de menina indígena em Redentora gera revolta e pedidos de justiça por povos indígenas

A morte da menina Kaingang, Daiane Griá Sales, de 14 anos, encontrada com parte do corpo dilacerado na última quarta-feira, 4 de agosto, na Reserva Indígena do Guarita, em Redentora, está gerando revolta e pedidos de justiça.

Daiane era moradora do setor de Bananeira, e foi encontrada morta em um local de mata aberta no Setor de Estiva em Redentora.

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O delegado de polícia, Vilmar Alaídes Schaefer, responsável pela investigação do caso, não descarta nenhuma hipótese, inclusive que a menina tenha sofrido abuso sexual antes de ser morta.

Também o crime pode se enquadrar em ocultação de cadáver. As circunstâncias da morte e a dilaceração da parte inferior do corpo da menina, serão investigadas, também com auxílio da perícia.

Nessa quinta-feira (05), houveram manifestações fortes em relação à morte brutal da menina.

A Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), emitiram nota oficial exigindo justiça.

Confira a nota na íntegra:

EXIGIMOS JUSTIÇA!

Na última quarta-feira (04), um crime bárbaro foi cometido no Setor Estiva, na Terra Indígena do Guarita, em Redentora, no Rio Grande do Sul, contra uma jovem parenta de 14 anos. Daiane Griá Sales, do povo Kaingang, foi encontrada morta em uma plantação nos arredores da comunidade, suas partes íntimas estavam dilaceradas.

A Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em conjunto com todas as organizações regionais de base, repudiam toda e qualquer violência contra mulheres indígenas e exige que a justiça seja feita a quem cometeu tal atrocidade.

Somos Daiane Griá Kaingang: https://bit.ly/JusticaDaiane

Também a Secretaria de Igualdade, Cidadania, Direitos Humanos e Assistência Social do RS, emitiu nota de pesar à nação Indígena.

Confira a nota na íntegra:

NOTA DE PESAR À NAÇÃO INDÍGENA

A Secretaria de Igualdade, Cidadania, Direitos Humanos e Assistência Social do RS (SICDHAS) manifesta pesar e indignação pela morte da menina Daiane Griá Sales, indígena Kaingang, de apenas 14 anos, ocorrida nesta quarta-feira (4), na Terra Indígena do Guarita, no município de Redentora.

O caso estarrecedor da menina Daiane expõe o quão necessário e urgente é fomentar as políticas públicas protetivas e transversais para essa população que vem sofrendo de forma constante violências de todos os tipos em todo o território brasileiro.

Estamos acompanhando as investigações que estão sendo conduzidas com absoluta prioridade pelas forças policiais do Estado, a fim de elucidar qualquer hipótese que possa ter ocasionado esse fato.

Reafirmamos a importância do Estado e da sociedade no processo de cuidado e garantia dos direitos humanos dos povos originários, no sentido de combater a xenofobia e o preconceito, infelizmente ainda persistentes.
É preciso, também, que respeitemos a diversidade cultural e étnica, que muito nos ensina sobre os cuidados com o lugar onde moramos, a valorização da natureza, dos seres vivos, da vida e da humanidade.

Esta Secretaria expressa seus sentimentos aos povos indígenas e se coloca indispensavelmente à disposição neste momento de tanta dor.

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