Autores que viram história – Literature-se ( Por Viviane Debortolli)

A literatura é uma arte capaz de abordar com doçura ou acidez os mais diversos temas da sociedade em que está inserida, ou de criar uma realidade mágica, dependendo do que se propõe a narrar. Fatos que marcaram a história são recontados em romances históricos, personagens que poderiam ser pessoas comuns são transformadas em heróis ou vilões. Acontecimentos cruéis que poderiam ser verdade tornam-se ficção quando algum escritor se propõe a usar de sua criatividade, talento e imaginação para compor uma obra literária.

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Não apenas a obra, mas também a vida dos escritores foram vigiadas ao longo da história da sociedade, e muitas atitudes foram levadas a julgamento. Dentre os autores que passaram pelo banco dos réus estão Oscar Wilde, um dos grandes nomes da literatura inglesa do século XIX, que foi condenado à prisão por homossexualismo. Como ele viveu numa época e sociedade opressoras, altamente moralistas, além de ser condenado, preso e obrigado a fazer trabalhos forçados, acabou por levar a imagem de sua família também à ruína. Depois de ser libertado, tentou recomeçar a vida numa ilha francesa à beira-mar, chamada Berneval.

Como os grandes nomes da literatura também podem ser transformados em personagens de outras obras, a história da vida de Wilde ao sair da prisão virou ficção nas talentosas mãos de Gérson Werlang, músico, escritor e compositor que, na obra “Wilde em Berneval”, publicada em 2020, conta, por meio de cartas, os meses de liberdade vividos pelo escritor inglês na ilha francesa, entre o final de maio e o início de setembro de 1897.

Por ser constituído por cartas, o romance tem como narrador o próprio Wilde, cuja linguagem poeticamente bela pode ser encontrada ao longo de todo o romance. O tema abordado no enredo é atemporal e permite aos leitores da contemporaneidade um mergulho profundo, embora ficcional e metafórico, na mente brilhante de uma figura que, mesmo com todas as agruras pelas quais passou, jamais perdeu a ternura.

A arte pode até não salvar vidas, mas certamente ela carrega em si o poder de tornar as pessoas mais humanas.


Por Viviane Debortolli – Coluna Literature-se  Portela Online


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