Quando uma mãe chora, todas as mães choram – Entrelinhas

Sempre que alguém mata choca e o “porquê” vem à pauta. Não como fator amenizador do ocorrido, mas como tentativa de entender o que dificilmente pode ser compreendido. É como procurar explicar o inexplicável.

E quando se tira a vida de crianças então, o motivo torna-se uma desesperada busca de sentido, que na verdade nem existe. Não há qualquer provável razão que torne compreensível um ato causador de imenso repúdio.

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Perplexidade é a palavra que mais faz sentido, seguida de dor, muita dor. E esses sentimentos não se restringem a familiares, amigos e conhecidos. Esses sentimentos se disseminam com a notícia, que chega rapidamente em cada lar, em cada canto.


Como é possível um ser humano ser capaz de tirar vidas inocentes e indefesas? O que o move nessa direção? Ódio? Loucura? Vícios?
Não há alternativa que minimize a angústia, que abrande a dor, que cale o grito, que cesse as lágrimas.

O que na mente de alguém foi capaz de impulsionar uma ação tão descabida, tratando-se de seres dotados de racionalidade e sensibilidade? Isso incomoda, desassossega, desespera.


E a partir do fato cada um pensa nos seus pequeninos e antecipa um medo novo. E se fosse com o meu? Um estremecimento percorre o corpo e um desejo intenso de abraçar e proteger aqueles que tanto se ama brota instintivamente.
Mas como protegê-los de tal improbabilidade? Eram pra estar seguros, quentinhos, alimentados, vivos!


Reconstruir as vidas dos que ficaram e perderam seus pequeninos será com certeza tarefa árdua, senão inalcançável. Resta então o esforço para crer na justiça, tanto dos homens quanto divina, mas nem uma nem outra os trarão de volta, infelizmente.
E às vésperas de um Dia das Mães, as mães da pequena Saudades, no oeste de Santa Catarina, terão apenas o que o próprio nome do município sugere, “saudades”, mas desta vez eternas.

Por Marlene Staub – Portela Online

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