Como saber dos amores, se serão eternos? – Literature-se

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Depois de uma série de indicações de obras consagradas, aproveito o espaço dessa coluna para indicar uma leitura leve, de minha autoria, publicada em 2014 no livro Fragmentos de Amor. O texto segue na íntegra e fala sobre um sentimento universal: o amor.

Como saber dos amores, se serão eternos?
Você nunca sabe do amor que será eterno em sua vida, mas acaba descobrindo como são as dores. De repente você se pega com o coração aos pulos por ver um carro parecido com o que ele tem, roendo as unhas esperando uma mensagem que nunca chega, uma ligação que nunca vem; aliás, elas até que vêm, mas às duas horas da madrugada, que é quando a solidão aperta, a bebida fez efeito, e a lista telefônica está chegando ao fim.

Você cria uma redoma de vidro, absolutamente frágil, tentando enumerar todos os defeitos que ele tem, mas ela se espatifa no mesmo instante em que você vê o nome dele na tela do computador, ou aquele rosto querido em alguma foto perdida. Seu cérebro trava uma guerra contra seu coração e você, adulta, passa a agir como se tivesse cinco anos. Sim, porque você fica sem rumo e infantil sempre que o vê.

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Você inventa mil maneiras para deixar de amá-lo e quando acha que está quase conseguindo ele ressurge das cinzas, volta pra sua vida com a força de um furacão, mostrando que tem as principais qualidades que você admira em uma pessoa, inclusive a virtude que considera a ‘número um’. A vida lhe passa essa rasteira que chega a ser um golpe baixo. Por essa você realmente não esperava e tudo fica mais difícil desde então.  Você está cada vez mais longe de conseguir esquecê-lo.

Você ficará encantada com cada notícia que terá dele e mesmo sabendo que não está incluída em seus planos ficará feliz com o futuro que ele planeja para si. Ver que ele está se transformando em um grande homem fará você se apaixonar ainda mais, porque se antes você o amava sem ter um motivo agora você o ama por todas as qualidades que ele tem.

Você não sabe do amor que será eterno, mas vai saber como ninguém dos filmes que vai ver sem ele, dos almoços que fará pensando nele, das viagens que gostaria de fazer com ele, dos sonhos que terá por ele. Mas também não saberá. E o ‘não saber’ dói mais ainda, porque não vai saber DELE. Não vai saber se ele está com frio nas noites chuvosas de inverno, se já melhorou do braço quebrado, se comprou o carro que queria, se ainda usa aparelho, se aquela fase difícil já passou, se amadureceu, enfim.

Do amor que vai ser eterno você não sabe, mas sabe da luta para deixar de amá-lo; você fará promessas, regimes e viagens; encontrará amores que não serão amores, e vai acabar percebendo que não consegue mentir para si mesma, fingindo que esqueceu; tentará arrancar o coração de dentro do peito para, pelo menos, voltar a respirar. Vai comprar roupas novas, vai conhecer lugares novos, mas ELE sempre estará presente, porque você sempre vai pensar em como poderia ser sua vida com ele ao seu lado, em como cada dia poderia ter sido se ele estivesse presente. Não terá uma única manhã que não o imaginará com você. Não haverá uma única noite sem que queira sua presença ali.

Mesmo amando-o tanto você seguirá sua vida e será muito feliz, mas até ao olhar para seus filhos vai lembrar de seu grande amor, pois não verá neles olhos iguais aos mais lindos que já viu, nem o sorriso pelo qual se apaixonou. Nesse momento você terá a certeza de saber o que é um ‘amor eterno’ e só então vai desistir de esquecê-lo.

E quando sua vida chegar ao fim você vai querer voltar no tempo, no dia em que o viu pela primeira vez, que o beijou pela primeira vez, mas não será para escolher ‘não conhecê-lo’. Pelo contrário, vai ser para amá-lo de novo, para amá-lo em dobro e mais uma vez”.
Por Viviane Debortolli – Literature-se Portela Online

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Post Author: Portela Online