A Casa das Sete Mulheres – Ficção Farroupilha (Literature-se)

Na semana mais gaúcha do ano, nada melhor do que a coluna Literature-se trazer a indicação literária de uma obra sobre o Rio Grande do Sul. O romance A Casa das Sete Mulheres, de Letícia Wierzchowski, é um tributo à história gaúcha, cujo tempo histórico se dá na Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupilha. A obra foi adaptada e virou uma aclamada minissérie, transmitida em diversos países.

Dizer simplesmente que a obra é linda não está à altura do que ela realmente é. Contada pela perspectiva de dois narradores diferentes, a história revela, entre batalhas e sofrimentos, a história de amor entre a doce Manuela e Giuseppe Garibaldi. Mas esse é apenas um dos núcleos narrativos nessa trama formada também por personagens do exército Farroupilha.

Há belíssimas descrições das estâncias por onde circulam os personagens, do vento minuano que varre os pampas com sua fúria e que geme nas noites longas de espera em que sete mulheres acostumaram a esperar que seus homens retornem da guerra, sejam eles seus filhos, seus maridos, seus pais ou sobrinhos.  Longe das batalhas, longe de seus homens, mas tão presentes na história gaúcha estão essas mulheres.

Numa época em que os relacionamentos eram determinados por sobrenomes e não por sentimentos, brotam improváveis romances, como o de Rosário e Steban; ela, uma filha farroupilha; ele, um jovem oficial castelhano. Ou então de Perpétua e Inácio de Oliveira Guimarães, proprietário da vizinha Estância do Salso, casado com uma mulher muito doente.

A casa em que vivem as sete mulheres da família do general Bento Gonçalves da Silva é o palco de grandes acontecimentos, para onde ficcionalmente voltam muitos dos heróis farroupilhas, para o acalanto de mulheres como Caetana, uruguaiana que foi a esposa de Bento, dona dos olhos verdes que zelaram pelo esposo até sua morte, a qual é narrada no livro posterior da Trilogia, Um Farol no Pampa, que é formada ainda pelo romance Travessia. Mas isso é uma conversa para outro dia.

A Casa das Sete Mulheres é um daqueles romances que, sem dúvida, precisam ser lidos. Especialmente por aqueles que amam a literatura e o Rio Grande do Sul.

Por Viviane Debortolli

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