Entrelinhas – Uma das receitas de pai

O meu nunca deu abraço
Se deu colo pouco lembro
Recordo do olhar severo
De janeiro a dezembro

Não sei se era medo ou respeito
Chegar perto foi bem raro
Preferi manter distância
Parecia sempre bravo

Mas de algo não esqueço…

O verso dito na escola
Com esmero decorado
Ao ver na plateia a figura
Não saiu, ficou engasgado

Veio o choro, a emoção
Falando mais que palavras
E eu disse com o coração
O que a boca não falava

Fiz como ele fazia
Sem dizer nada sequer
Mostrei que amor mudo
Apenas o olhar requer

E na sua bruta figura
De relance observei
Olhos verdes marejados
Sua frieza derrubei

Foi um dia pra lembrar
Do choro bom que chorei
Num DIA dos PAIS distante
Que ao meu pai, Arnaldo, homenageei.

Parabéns a todos os pais. Esta é a homenagem do site Portela Online nesta data especial.

Por Marlene Staub – Entrelinhas Portela Online


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