A face do abismo – Literature-se

Romance de Charles Kiefer que metaforiza o evento do dilúvio constante da Bíblia sagrada cristã, ao mesmo tempo em que é uma alegoria da criação do mundo, A Face do Abismo está entre os títulos de Kiefer que não podem deixar de ser lidos.

Ao transfigurar a colonização alemã no noroeste do estado do Rio Grande do Sul, a obra evidencia o papel da figura feminina nessas sociedades, preceitos religiosos, crenças, cultura, danças, costumes e linguagens típicas germânicas, além do preconceito pela miscigenação das raças.

Continua após as publicidades...

Receba notícias do site Portela Online pelo Whatsapp - clique aqui para entrar no grupo. Não tem mais vaga? Envie uma mensagem para (55) 99631-9327.

Continua a notícia...

O romance se destaca por permitir ao leitor questionamentos e reflexões diante de fatos da vida, características que é marca de Kiefer. O mergulho nas entrelinhas do texto é até mais profundo que o que está escrito, pois a narrativa, da forma como é contada, nos leva a perceber nuances e posicionamentos diferentes, já que se estrutura pela visão de dois tipos distintos de narrador.

Cobrindo 82 anos da cidade de San Martin, a história se passa entre os anos de 1903 a 1985 e configura-se como uma espécie de panorama histórico do nascimento, ascensão e destruição do município, que nesse período deixou de ser aldeia indígena para se tornar vilarejo, até transformar-se em cidade industrializada e acabar sendo tragada pelas águas de uma barragem criada no rio que circunda a cidade.

San Martin, a cidade submersa de Kiefer, existiu ficcionalmente por tempo suficiente para que os leitores compreendam a finitude da vida, as alterações nos espaços provenientes da ação do homem, e, principalmente, o preço a ser pago pela natureza e pela humanidade em nome do que se convencionou chamar de “civilização”.

 

Por Viviane Debortolli

Deixe um comentário