Após reprodução do crime, polícia acredita que mãe usou corda para estrangular filho e não para arrastar o corpo, como alega defesa

Boneco foi utilizado pela períicia para simular o corpo do menino Rafael — Foto: Débora Padilha/RBS TV

A reconstituição da morte de Rafael Mateus Winques, 11 anos, em Planalto, na última quinta-feira (18), tornou mais evidentes os indícios de que Alexandra Dougokenski, 33 anos, teve intenção de matar o filho, segundo a Polícia Civil. Em depoimento, a mãe alega que utilizou uma corda de varal para fazer a tração do corpo do filho entre a cama e a porta da casa e, que, a partir daí até a residência do vizinho, a suspeita carregou o corpo de Rafael. Para os investigadores, no entanto, a percepção é outra.

— Isso ficou mais claro com a reconstituição. Se ela disse que podia carregar o menino como nos mostrou, não faz sentido ela ter usado a corda. Não precisava ter colocado a corda no pescoço, se conseguia carregar. Nos parece que usou a corda para estrangular de forma intencional e não para fazer arrasto. Ela diz que usou a corda para auxiliar na ocultação. Mas se ela podia carregar o corpo, por que usou a corda para puxar? — questiona o diretor de investigações do Departamento de Homicídios, Eibert Moreira Neto.

Rafael desapareceu em 15 de maio no município de 10 mil habitantes, no Norte. Dez dias depois, a mãe alegou confessou que exagerou na dosagem do medicamento Diazepam, pois o menino estava agitado, e sustenta que não teve a intenção de matar o garoto. A Polícia Civil e o Ministério Público, porém, trabalham com a hipótese de homicídio doloso, quando há intenção.

Outro ponto de contradição, que chama atenção dos investigadores, é de que Alexandra conta ter amarrado a corda por cima do ombro do garoto para arrastá-lo. Porém, isso faria com que a corda se movimentasse ao puxá-la. Diferente se, por exemplo, Alexandra tivesse amarrado a corda embaixo dos braços de Rafael.

Isso também leva a outra dúvida que será esclarecida com os laudos periciais: o tipo do nó que Alexandra fez na corda. Se fosse um nó fixo, o laço no pescoço do menino não se fecharia quando a corda fosse puxada. Já com o nó corrediço, o laço se fecharia no pescoço com o movimento da mãe.

— Ela alega que a corda foi fixada por cima do ombro, e não por baixo dos braços, e quando ela fez o arrasto da corda, ela escorregou e foi parar no pescoço. A gente precisa saber se de fato o que estava lá no corpo é o que ela demonstrou aqui. Isso será esclarecido quando forem concluídos os laudos periciais, qual foi a definitividade do nó: se era fixo ou corrediço — disse Eibert à imprensa, no final da reconstituição, na madrugada de sexta-feira (19).

Na última quinta-feira, a reprodução simulada dos fatos durou seis horas em Planalto. Na primeira parte, Alexandra foi entrevistada por peritos e delegados na delegacia. Por último, por três horas, mostrou, na casa onde vivia com Rafael, como o crime aconteceu, conforme a sua versão.

— Da forma como a lesão no pescoço está disposta, para nós é muito claro que foi feito uma pressão muito grande, o que evidencia um estrangulamento intencional. Mesmo que o nó tenha sido fixo ou corrediço, para nós, da forma como visualmente estava no corpo, nos parece que foi colocado de forma intencional — acredita o delegado.

Nos argumentos da decisão que mantém a prisão temporária de Alexandra por mais 30 dias, a juíza de Planalto Marilene Parizotto Campagna utilizou trechos do inquérito policial para fundamentar a permanência da mãe na prisão:

“A forma como a corda estava disposta no pescoço de Rafael, perpendicular à linha dos ombros e com nós definitivo (isso ainda será confirmado pela perícia) evidenciam não ser plausível a versão apresentada por Alexandra”, diz trecho da decisão. A mãe está presa desde 25 de maio.

A magistrada aponta que “embora a investigada alegue que a morte da vítima seja resultado de agir culposo, há indícios de prática de homicídio doloso.”

A polícia segue trabalhando para esclarecer a dinâmica da morte e a motivação da mãe.

— Enquanto não tivermos toda dinâmica e a motivação muito clara, o crime não estará esclarecido. É muito complexo, como um jogo de xadrez — compara Eibert.

Contraponto

O advogado de defesa, Jean Severo, discorda da tese da polícia e diz aguardar o resultado das perícias:

— Como a polícia não está encontrando motivos para este crime, começam a surgiu estas versões por parte do órgão acusador. Em entrevista, os peritos já falaram que, se houve asfixia mecânica, foi no transportar do corpo.

Fonte: GauchaZH

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