‘Existem contradições relevantes’, diz delegado sobre depoimentos da mãe e do irmão de menino morto em Planalto

O irmão de Rafael Mateus Winques, de 11 anos, morto em Planalto, no Norte do estado, foi ouvido pela polícia nesta segunda-feira, 1º de junho. Segundo o delegado Eibert Moreira Neto, há diferenças no depoimento da mãe, Alexandra Dougokenski, e no do adolescente de 16 anos.

“Fazendo análise das contradições existentes entre a versão apresentada pela Alexandra com a versão apresentada pelo [irmão]. Existem contradições relevantes, que a gente precisa explorar a partir de agora, mas isso será feito agora nos próximos dias. Estamos alinhando essas contradições e fazendo análises delas vamos desdobrar as próximas diligências”, afirmou o delegado.

Um laudo preliminar do Posto Médico-Legal de Carazinho indicou que Rafael morreu por asfixia mecânica por estrangulamento. O caso é tratado como homicídio doloso pela polícia.

Por ser menor de idade, o adolescente foi ouvido pelo método de depoimento especial, no qual participa um profissional com treinamento específico.

“Ele foi ouvido como testemunha, mas levando em consideração que na casa existiam três pessoas: Alexandra, o [irmão] e o Rafael, sendo que o Rafael é vítima, e Alexandra é investigada confessa, a gente inicialmente está tratando ele [o irmão] como testemunha. Isso não obsta que ele seja no decorrer da investigação considerado como suspeito, mas isso só vai acontecer se verificarmos que as contradições não foram esclarecidas”, apontou Eibert.

A polícia ainda aguarda os laudos do Instituto Geral de Perícias (IGP), mas antecipa que, mesmo sem os resultados, já foi verificado contradições com o depoimento de Alexandra.

“Temos questões que foram constatadas da nossa expertise que são contraditórias com a versão apresentada por ela. Isso será verificada oportunamente com os resultados dos laudos.” disse o delegado. “Da mesma forma o interrogatório da Alexandra, que nós tínhamos uma grande expectativa, para verificar a versão que ela apresentaria com relação a narrativa dos fatos. Ela manteve a versão apresentada, mas cotejando essa versão que ela apresentou, com as informações que a gente já tem no inquérito policial, nós constatamos diversas divergências e elas serão importantes para o desenrolar da investigação policial”, completou.

Mesmo Alexandra alegando que agiu sozinha, a polícia não rejeita a hipótese de outras pessoas terem participado do crime.

“Nesse primeiro momento da investigação, como ela está em andamento ainda, nós não podemos descartar a participação de nenhuma pessoa. Obviamente algumas delas tem álibis que já foram avaliados e são confirmados pela investigação policial, mas para a gente fazer uma exclusão de suspeita a gente vai aguardar a conclusão do inquérito policial para que isso seja feito no momento oportuno”, explicou o delegado.

O delegado afirmou que o pai de Rafael poderá ser ouvido novamente. A polícia espera terminar a investigação em 30 dias

“Essa investigação é de alta complexidade. O prazo normal para conclusão do Inquérito Policial já que ela tá presa é 30 dias. Ela tá presa temporariamente, foi decretada a prisão temporária pelo Poder Judiciário por 30 dias. Obviamente a gente pode pedir a prorrogação desse prazo, mas a gente pretende concluir o inquérito policial nesses 30 primeiros dias. Vamos ver agora o que vai acontecer nos próximos dias para a gente ver se a gente vai ter condição para fazer isso levando em consideração que essa uma investigação de alta complexidade.”

O caso

Rafael desapareceu em 15 de maio, quando foi dormir e, na manhã seguinte, não estava mais em casa. A mãe chegou a dar entrevista à RBS TV dizendo que queria que o filho voltasse para casa.

A residência onde o menino mora com a mãe e o irmão de 16 anos não possuía sinais de arrombamento no dia do sumiço. Inicialmente, a mãe disse que havia levado uma coberta para o menino antes de dormir, e pensou que ele havia saído pela manhã.

A polícia ouviu ainda o depoimento de familiares, vizinhos e outras pessoas para compreender a dinâmica familiar e a personalidade do menino. Câmeras de monitoramento da cidade foram analisadas. O celular de Rafael foi levado à perícia para verificar possíveis dados apagados.

No dia 25 de maio, segundo a polícia, a mãe confessou o crime e disse o local que havia enterrado o menino. O corpo estava enrolado em um lençol em uma antiga casa da família próximo à casa que a família morava.

Alexandra alega que não teve a intenção de matar o filho e disse à polícia que teria dado um medicamento para o menino.

Fonte: G1 – RS

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