“Quem sabe chorar também sabe explodir de alegria” – Literature-se

Que Charles Kiefer é um dos meus escritores favoritos não é novidade para ninguém que me conhece; tanto que sua obra foi meu objeto de pesquisa no mestrado, mas não é por isso que ele vai ser o nome das próximas indicações desta coluna: é porque ele escreve sobre o Rio Grande do Sul, sobre a nossa região geográfica, sobre a colonização alemã, sobre os dramas de gente como a gente.

Charles Kiefer já foi indicado aqui no conto “O Poncho” e no romance “Valsa para Bruno Stein”, os quais espero terem sido apreciados pelos leitores da Literature-se. Hoje vamos falar um pouco mais a respeito da primeira publicação de Kiefer, Caminhando na Chuva (aliás, primeira oficial, porque antes ele havia publicado outros três livros que excluiu de sua obra por considerá-los produções imaturas).

Caminhando na Chuva é uma novela (possui um núcleo temático apenas) juvenil cujo protagonista é Túlio, adolescente morador de Pau-d’Arco (equivalente ficcional Três de Maio – RS), pobre, descendente de alemães, que difere da maioria das pessoas à sua volta pela sua intelectualidade. O texto é narrado em primeira pessoa, pelo próprio Túlio, que conta as peripécias de sua infância (pobre, mas feliz) e se desenrola pela juventude, até chegar à sua paixão por Rosana, a moça rica que vai morar em Porto Alegre.

O livro é dividido em capítulos bem curtinhos que podem ser lidos separadamente sem prejuízo do entendimento geral, pois cada um deles narra um fato da vida do personagem. Alguns são bem divertidos, outros são tristes, como são, na realidade, os dias das pessoas. O título da obra se dá em virtude de um gosto peculiar do personagem, de caminhar na chuva para pensar. Como é introspectivo, prefere a cidade quando chove, que fica vazia e sem movimento: é aí que ele se encontra, na sua clausura existencial oposta à grandeza de uma cidade inteira quase só para ele.

“Agora vou parar de escrever, a chuva me convida a sair, a cidade está morta, mergulhada em silêncio, não há um carro nas ruas, nem um cão, nem uma pessoa. Até o momento em que romper a aurora, até o instante em que o sol explodir anunciando minha nova vida, e um novo tempo, vou ficar caminhando na chuva.”

Com uma linguagem simples e ao contar episódios de sua vida, Túlio faz reflexões interessantíssimas sobre a vida. A minha preferida é sobre a leitura, com a qual eu concordo:

“Vou ensinar aos meus alunos que ler é importante, porque nos humaniza, nos emociona, nos comove. E quem tem coragem de chorar é porque está vivo, porque pulsa, porque vibra. Quem sabe chorar também sabe explodir de alegria. O pior homem do mundo é o indiferente, porque seu coração é um deserto, e no deserto não nascem flores.”

Por Viviane Debortolli

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