Literature-se – Conto de Caio Fernando Abreu e a Modernidade Líquida


O conceito de modernidade líquida foi desenvolvido pelo sociólogo Zygmunt Baumann e se baseia da ideia de que, assim como o líquido muda constantemente, sem fixar tempo e espaço, a sociedade também muda.  Baumann defende a ideia de que a sociedade vive numa época que não é pós-moderna, porque os princípios básicos da modernidade não terminaram, foram transformados em algo diferente, mas idênticos na essência. Ou seja, a modernidade (tradicional) é sólida, baseada em conceitos sólidos, como a liberdade, e atualmente o que se tem é uma liquidez desses conceitos, tem-se a transformação do que era sólido em líquido. 

A indicação literária desta semana aborda a liquidez das relações humanas transfigurada na personagem principal do conto Creme de Alface, do renomado escritor gaúcho Caio Fernando Abreu.

Caio Fernando Abreu é um dos ícones da sua geração. Seus contos têm abordagens profundas sobre a condição humana, e em Creme de Alface ele deixa claro o quanto na contemporaneidade o ser humano é incapaz de olhar para quem está ao seu lado. Empatia e alteridade são conceitos inexistentes no conto que relata o episódio de agressão a uma criança por parte de uma mulher adulta, fato que nos leva a pensar que é imprescindível perceber que, enquanto sociedade, as atitudes de uns refletem na vida dos outros. Em última análise, fechar os olhos para o outro pode significar não ver o que está fazendo cócegas na ponta do próprio nariz.

Por: Professora Viviane Debortolli

Notícias pelo Whatsapp Clique aqui e entre no Grupo do Whatsapp do Portela Online e fique por dentro das notícias. Não tem mais vaga no grupo? Envie uma mensagem para (55) 99631-9327 e solicite um novo link gratuitamente.

Artigos relacionados

Fechar
%d blogueiros gostam disto: