Ensaio sobre a consciência – Literature-se


Literature-se desta semana traz a opinião do leitor e nos leva a pensar a respeito de um momento bastante preocupante que vivemos enquanto sociedade. O livro até já foi indicado nesta coluna, mas parece cada vez mais fazer parte do presente da humanidade. O texto que segue é da professora Joyce Toscano Tjader, de Cruz Alta, que é graduada em Letras – Português e Literatura (Unijuí) e Letras – Inglês (Unijuí), pós-graduada em Formação Pedagógica para Docentes da Educação Profissional Técnica e Tecnológica (FACTUM); é professora de Inglês no Centro de Ensino FISK e no SEG (Sistema de Ensino Gaúcho), ambos em Cruz Alta:

“E se a humanidade fosse atingida por algo que impedisse o seu ir e vir, que afetasse o convívio social e que te colocasse em quarentena para impedir o contágio de uma epidemia? Você pode estar relacionando isso com o CORONA VÍRUS, não é mesmo? Mas e se eu contasse que tudo isso é uma ficção publicada em 1995? O autor português José Saramago escreveu Ensaio sobre a Cegueira através de um questionamento: “E se um dia todos ficássemos cegos?”.

A história do livro começa quando um homem sentado em seu carro na fila do semáforo simplesmente fica cego, muitas pessoas tentam socorrê-lo sendo assim contaminadas pelo que viria a se tornar uma epidemia. O mundo se torna cego, a não ser por uma mulher, ela acaba sendo os olhos do leitor perante ao desespero.

O que presenciamos é uma luta pela sobrevivência, os sentimentos escravizam as pessoas, presenciamos a vergonha, a fome, a ganância, o poder, a angústia, a impotência e o medo tomarem os personagens. Estabelecimentos são saqueados, famílias são desfeitas e o desespero explode. O governo não vê outra opção a não ser agir e acaba trancando todas as pessoas atingidas pela cegueira num antigo hospício transformado em clínica. Nessa quarentena testemunhamos compaixão pelos mais necessitados, luta pelos bens básicos, atos de violência e outras coisas que acontecem quando o desespero vem em primeiro lugar.

Saramago põe o dedo na ferida quando analisa a sociedade através de uma lupa, o que somos nós vistos aos detalhes? Vivemos em comunidade ou apenas habitamos nosso espaço? Somos altruístas ou egoístas quando postos em prova? A cegueira branca e suas consequências possibilitou o autor o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, mas também a nós leitores e seres humanos o exercício da consciência. O COVID-19 não é obra da ficção!”

Por Viviane Debortolli

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