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Literature-se – “É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”


A narrativa indicada nesta semana foi publicada nos Estados Unidos por um escritor francês e ganhou o mundo. Pessoas de todas as idades já se encantaram com a história repleta de metáforas que pode ser lida por crianças, adolescentes, adultos e idosos. É leitura indispensável devido à profundidade das reflexões que proporciona, da sutileza com que trata assuntos como solidão, amor, amizade, confiança.

Publicado em 1943, O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, é narrado por um aviador que depois de uma pane em seu avião fica perdido no deserto, onde recebe a visita de uma criança, um principezinho pequeno que chega ao planeta terra depois de viajar por outros planetas, locais em que teve várias experiências, as quais relata ao aviador. A relação estabelecida entre o adulto e a criança faz com que o aviador lembre-se do pequeno príncipe pelo resto da vida, tamanha fora a profundidade daqueles poucos momentos que passaram juntos. 

Pode-se dizer que a obra desvende mistérios da infância, de sonhos, retome lembranças e questionamentos e leve o leitor a pensar na incoerência que a vida adulta muitas vezes passa a ter quando a pessoa deixa de ver o mundo com a pureza dos olhos de uma criança. Esse livro pode ser lido aos poucos, calmamente, porque ele merece que o leitor pense em cada metáfora, mergulhe na profundidade de cada frase que fez com que a narrativa fosse traduzida para diversas línguas, adaptada para o cinema e figurasse entre os livros mais famosos do mundo.

O Pequeno Príncipe é a indicação desta semana não porque ele é famoso, mas porque ele merece a fama que tem.  Porque normalmente o leitor não sai o mesmo depois de conhecer a história do menino que era fiel a sua rosa por sabê-la frágil, que sabia que era preciso não deixar crescer as sementes terríveis que infestavam o solo de seu planeta, que aprendeu com uma raposa que “o essencial é invisível aos olhos”, que “a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar”, ou que “as pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes”. 

Sobre criar laços, diz a raposa ao Pequeno Príncipe:

Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…”

Por Viviane Debortolli

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