Anúncios

Réus são condenados a 40 e 50 anos por morte de duas idosas em 2016 em Lagoa Vermelha

Um deles é sobrinho de uma das vítimas. Conforme acusação, ele mandou o outro homem, também familiar, assassinar a tia e uma amiga que estava na mesma casa, com promessa de recompensa. Motivo seria a transmissão de propriedade de terras.

Manifestação em cartaz colocado junto ao Fórum de Lagoa Vermelha no dia do júri — Foto: Ministério Público/Divulgação

Dois homens foram condenados a 50 e 40 anos de reclusão, respectivamente, pelo Tribunal do Júri em Lagoa Vermelha, pela morte de duas idosas em 2016. A decisão saiu na última terça-feira (10). A maior pena foi dada a Mario Picoli, sobrinho de uma das vítimas. Segundo a acusação, ele ordenou o assassinato da tia e da amiga dela por meio de recompensa. O segundo réu, apontado como autor dos disparos, também fazia parte da família.

Regina Venzon Picoli, de 61 anos, e Vilma Scalabrin Casal, de 79 anos, foram mortas a tiros em razão de desavenças envolvendo a localização, quantidade de hectares e transmissão de propriedade de terras em virtude de um negócio realizado pelas famílias de Regina e Mario junto a uma terceira pessoa, conforme sustentou o Ministério Público.

Mario Picoli nega o crime. Ao G1, um dos advogados que o representa, Fabrício Antônio Lorandi Pinheiro, informou que já interpôs recurso. Nos próximos dias, entrarão no processo as razões da apelação.

“Respeito muito a magistrada, mas ela forçou e muito no tocante à pena de 50 anos e 8 meses”, disse. “Foram quatro votos a três dos jurados, isso mostra que eu tenho um fundamento”, acrescenta. Além de pedir absolvição, a defesa também tentará a nulidade do processo. “Na nossa visão, aconteceram nulidades. Elas vão estar no recurso.”

Ainda conforme o advogado, Mario sustentou desde a investigação policial até o júri, que não teve participação nem na negociação sobre terras, que ficou entre seu pai e a tia.

O G1 tenta contato com a defesa de William.

O Conselho de Sentença, formado por sete jurados da comunidade, acatou a tese dos promotores Felipe Lisboa Barcelos e Octavio Cordeiro Noronha em plenário. Eles pontuaram que os réus “cometeram os homicídios em comunhão de esforços e conjugação de vontades, por motivo torpe, mediante promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima, fazendo uso de arma de fogo.”

Outro agravante para as penas foi o motivo de as vítimas serem idosas.

Ainda em 2016, após os dois serem presos pela polícia, William confessou ter atirado. “Ele confessou a autoria dos disparos contra as vítimas, e alegou que fez isso porque um sobrinho de Regina tinha solicitado, com a promessa de uma recompensa”, afirmou, na época, a delegada responsável pelo inquérito, Tais Bee Witte Neetzow. William era marido de uma sobrinha de Regina.

Mais sobre o crime

Em 25 outubro de 2016, após receber ordens de Mario para a realização do crime mediante o pagamento de R$ 10 mil e uma caminhonete, conforme o MP, William deslocou-se até a residência de Regina e atirou contra ela. Ainda atendendo a pedidos de Marcio, William também disparou contra Vilma, amiga da vítima que estava em visita ao local e presenciou o homicídio.

Os corpos das idosas foram encontrados por um vizinho que havia ido até a propriedade para a realização de um serviço. Ao chegar à residência de Regina, ele percebeu que o interior estava revirado.

Artigos relacionados

Fechar
%d blogueiros gostam disto: