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O Crioulismo nos faz bem – Rabiscos do Silêncio

Quando se fala em sementes crioulas não podemos reduzir o assunto a apenas o cultivo de grãos em suas variedades, mas é toda uma cadeia de espécies que se traduz em: flores, árvores nativas, frutas, ervas, plantas medicinais, animais, além de outras variedades mantidas e selecionadas por várias épocas e povos tradicionais.

Essas sementes devem ser preservadas e disseminadas, pois fazem parte da agricultura na sua origem. Cada semente guarda em si a riqueza natural que a terra produz com a inclusão do homem no campo. Ela faz parte da evolução da natureza e do trabalho de diferentes povos e nações.

Neste sentido, é impossível pensar em agricultura sem o controle e o acesso a esses bens fundamentais. Quem controla as sementes decide o que planta e o que será plantado. Não precisam ter influência de outras pessoas que procuram na teoria semear na mente do agricultor outros tipos de cultura, como a das sementes modificadas (transgênicas ), as quais quebram o ciclo da organização das espécies, mudas e sementes.

E as sementes crioulas  trazem grandes benefícios que significam: autonomia, cultura e soberania alimentar, ao contrário do agronegócio que transforma tudo em lucro juntamente com o capitalismo. Isso é muito perigoso, pois fermenta exploração, domínio e divisões. Não é somente para lucrar que a terra produz alimentos, mas para que as pessoas possam ter saúde, dignidade e autonomia. Precisamos resgatar e multiplicar, defendendo o cultivo dessa cultura para que não caiam nas mãos de quem só pensa na individualidade do lucro.

Existem muitas razões para plantar as sementes crioulas:

– Baixo custo com insumos;

– Grandes benefícios na possibilidade de replantio;

– Menor dependência de insumos com maior autonomia tecnológica;

– Grande valorização no modo de vida dos agricultores na afirmação das identidades;

– Maior diversidade de opções no plantio de várias culturas;

– Manutenção da diversidade biológica;

– Maiores condições de controle sobre o processo produtivo.

As sementes crioulas são um sinônimo incalculável de resultados positivos na tomada de decisões, tanto na produção animal como vegetal, onde o agricultor pode pensar e planejar o que plantar, ligando o alimento saudável com cheiro da terra e não ao abuso indiscriminado de agrotóxicos (veneno) tirando o gosto e o paladar da segurança alimentar.

E a terra precisa ter a liberdade de produzir alimentos que dão consistência com a certificação de que transmitem saúde, paz e vida.

O crioulismo nos faz bem, pois muda a prática alimentar com respeito a todo ser vivo. Não polui água, solo e ar e nos ajuda a perceber as necessidades da partilha entre parentes, amigos e vizinhos. É muito saudável ver as necessidades do outro sendo preenchida com a percepção de trocar, emprestar ou até doar alimentos crioulos no processo de divulgação desta boa cultura.  Algo que não acontece com o cultivo das sementes modificadas, vindas do capitalismo nas tecnologias que exploram a individualidade da terra, ignorando que esta precisa respirar e transpirar vida.

Precisamos expandir a cultura da produção orgânica que é a essência da vida,  dando-nos segurança alimentar permanente, pois faz uma grande diferença quando se põe na mesa alimentos de origem crioula ao invés das sementes modificadas, na cor, sabor, paladar e saciedade. Sem falar que são eles produzidos longe dos agrotóxicos e ajudam a terra na preservação da biodiversidade, não sufocam a natureza com os seres vivos que contém, e ajudam a pensarmos na coletividade de maneira mais igualitária.

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