A falta de ética – Rabiscos do Silêncio

Vivemos e sentimos no fundo do nosso ser os efeitos da globalização em que corre em nossa alma a indiferença em todos os sentidos da existência. Estamos em plena crise de humanização, cuja manifestação está no cotidiano de cada um de nós, sobretudo no descuido, no descaso, na indiferença e abandono da vida das pessoas mais necessitadas.

É o grito do silêncio dos idosos, crianças sendo conduzidas aos maus tratos, falta de conscientização em relação ao meio ambiente, que nos faz pensarmos de maneira diferente e começarmos a olhar a dimensão do outro de forma que traga o calor humano que vem de dentro do coração. E não valorizar as coisas frias como as máquinas que alimentam as tecnologias. Estas são necessárias, mas não mais importantes do que saber sintonizar-se com um profundo abraço, um diálogo agradável, que identifique os anseios e as perturbações do nosso semelhante.

Estamos necessitados de cuidados com o dom maior que é a vida. É muito saudável ver que existem pessoas  comprometidas com a solidariedade, refazendo o sofrimento de muitos outros que estejam sofrendo de doenças; pelo cuidado esperançoso e ético, respeitando cada  um através de uma presença que leve esperança e bem estar àquele que esteja acometido de algum mal físico. Isso remete nosso pensamento à dedicação dos agentes e dos profissionais da saúde, que tem muito amor por cada paciente ou idoso com a capacidade motora reduzida.

Essa dedicação é uma profunda explanação da experiência. Quando se experimenta o outro que está sofrendo, se vive a presença de uma vida que precisa ser olhada na totalidade, pois é algo que transcende o próprio corpo e se extrai a sua dor na mais completa inclinação em ver o que passa na sua angústia. Assim se valoriza a contemplação da essência dessa pessoa, não permitindo que a exclusão se manifeste em nós.

E cuidar de uma pessoa que esteja com sua saúde fragilizada exige muito carinho e compreensão, mesmo sabendo que não voltará a desfrutar de nossa convivência na sua normalidade, mas precisamos aceitar a realidade do seu sofrimento e elevá-lo com uma atitude de ocupação e preocupação. Não abandoná-lo, pois isso traz uma grande dor na consciência quando a sugestão da vida lhe transferir para a dimensão na transcendência.

Uma boa atitude é visitá-lo e estar junto para ver o seu sofrimento, isso cria um ambiente favorável entre os que convivem com uma pessoa que sofre as cicatrizes. Não cultivar a indiferença, anulando a boa conduta dos nossos sentimentos, mas abrir-se a sensibilidade do coração que precisa estar em uma profunda sintonia entre o amor e a pratica do saber comungar da partilha que ajuda a anemizar a sua dor.

Todas as pessoas que sofrem, principalmente os idosos que facilmente caem em dúvida sobre suas vidas e pensam ser inúteis vivendo em meio ao dificuldades de saúde que limitam sua disposição e mobilidade. É preciso valorizá-los com atitudes de uma comunicação simples que lhes confirme a presença de uma fé verdadeira, mostrando-se disposto a contribuir com o que se passa em suas vidas, dedicando tempo na cura das feridas da alma.

Também ajudando-os com a intencionalidade do amor, fazendo da vida uma grande construção de uma sociedade mais solidária que eleva a percepção da existência de um mundo justo em todos os aspectos, abrindo o nosso coração às coisas do transcendente  numa dimensão de acolhida e responsabilidade, buscando tudo o que edifica os sinais da presença da luz de Deus na pureza dos nossos sentimentos. Tudo isso com a verdade purificada nos caminhos da consciência que se abrem para a lógica de uma ética centralizada nos valores humanos e com tudo o que significa compromisso, cuidado e solidariedade para com todas as pessoas necessitadas de valorização diante da sua vulnerabilidade.

Artigos relacionados

Fechar
%d blogueiros gostam disto: