Rabiscos do Silêncio: A serviço das teorias

Olhando a dimensão da palavra “teoria” poderemos extrair vários elementos que são captados da realidade e que fazem com que reflitamos sobre a condição que damos a ela com a demonstração de inclusão em alguma das práticas no nosso cotidiano.

Ninguém consegue viver sem teorias, elas fazem parte da formulação da prática na nossa personalidade, mas é preciso saber interpretar o seu valor em nossa cabeça pensante e não mergulhar na intenção de prejudicar a sociedade, pois esta é composta de indivíduos, ou seja, de pessoas que tem na sua individualidade a maneira própria de ser.

Quantas pessoas neste universo de possibilidades são enganadas por falsas teorias, que se tonam verdadeiras por interpretações que provocam dor, angústia e decepção. Exemplo disso são as fofocas, mentiras e exploração. Essas teorias são formuladas com objetivos de fazer prevalecer a dominação e prejudicam a concentração na convivência e no serviço da prática do amor.

É preciso ter cuidado com as falsas teorias que são formuladas com objetivos de deixar muitas coisas incompletas ou mal explicadas, facilitando a dominação e fazendo das pessoas escravas da sua própria consciência, empobrecendo a identidade de ser, permitindo a entrada da manipulação. E a pessoa que não tiver um senso crítico apurado acaba aceitando isso como normal.

Não existe algo mais dolorido para uma pessoa do que ver a sua consciência ser enganada, dirigida ou acomodada por ideologias que interferem na sua maneira própria de pensar. A rotulação das teorias que são formuladas, das informações que servem a determinados grupos ou que exercem o domínio na sociedade são alguns dos mais terríveis exemplos da interferência na liberdade do pensamento.

Pois todos nós estamos envoltos neste universo e diariamente comemos teorias, bebemos teorias e também pensamos teorias. Todos os preconceitos ou os estereótipos que são formulados com a nossa liberdade precisam passar pela conversão de nossa consciência.  Quando eu olho para uma pessoa e a vejo somente pela formulação teórica, com um pensamento agressivo, por essa pessoa apresentar uma maneira diferente, seja no modo de se vestir, se comunicar ou porque é de outra nacionalidade, o meu pensamento vai obedecer a  sugestão que enviei para a consciência.

E julgar uma pessoa por nossa teoria mal elaborada excluindo-a de uma aceitação contagiante é dar vazão a um padrão do pensamento desastroso, desorganizado e preconceituoso a respeito das outras pessoas. O pensamento também precisa ser elaborado com uma prática que demonstre compenetração do amor, isto é, eu preciso saber centralizar a vida que se processa no outro como parte integrante da minha própria existência. E não separadamente de minhas conversões pessoais.

Somente é livre a pessoa que sabe a importância das suas teorias, conhece-as na essência do seu pensamento e procura revisá-las num ato contínuo de fé e reciprocidade. Tendo  a sua mente aberta para novas experiências e que não fecha a dimensão das teorias ao seu mundo particular, mas que confronta a realidade das ideias aderindo a uma prática verdadeira, sem desfazer a ordem e origem de cada nova  manifestação contrária a sua posição social.

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