Rabiscos do Silêncio – O Pluralismo integrador – Portela Online
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Rabiscos do Silêncio – O Pluralismo integrador

Diante do meu “eu” encontra-se a primeira pessoa do singular e é onde se forma a minha personalidade como presença neste universo cheio de contradições, medos, dissabores, conflitos e apreensões.

Mas também se encontra uma bela resposta que formulamos com a nossa existência através do cultivo das ações que se formam na vida. Essas ações enriquecem o nosso cotidiano e são valores que partem do meu “eu” e vão se fazendo presença marcante nos outros pronomes de tratamento, como o: amor, perdão, paz, compreensão e tudo que faz bem a sociedade ou, no sentido mais amplo, para a humanidade vista como um todo. É a integração que acontece com a liberdade do meu “eu” nos frutos desses valores.

Sentir-se integrado a tudo o que provoca sentimentos de esperança, motivação e solidariedade, não é somente guardar esses sentimentos no “eu”, mas é saber trabalhar com uma prática que valorize a fermentação desses sentimentos na abertura da coletividade pela integração ao pronome “nós”. E dar oportunidade para o que o outro seja visto como ser humano e não pela justificativa de tê-lo como objeto de satisfações pessoais.

Precisamos permitir que a vida, seja valorizada na sua formação total, isto é, saber respeitar as pessoas na sua grandeza pela troca de experiências. Não sufocar o outro dentro do “eu” pessoal, mas trazê-lo para junto de si afim de que ele possa fazer parte do sentimento do amor, ligando- o ao entusiasmo particular da fé, da compreensão e do dinamismo. Permitindo que a abertura aconteça para produzir os frutos de paz, reconciliação e da convivência social.

Não se deve desprezar a integralidade que permite ver a dimensão do respeito que está intrínseco em cada criatura deste universo, seja ela pertencente ao reino animal, mineral, vegetal ou humano. Mas esse respeito precisa ser formulado na consciência que é particular e instrumentalizado com o convívio entre todos, numa aceitação do compromisso de zelar pelo que está presente no conjunto de toda a natureza. Isto porque cada criatura tem suas razões de existir.

Mas infelizmente numa sociedade capitalista e individualista em que muitas vezes se valoriza mais o ter em detrimento do ser, criam-se forças contrárias ao respeito de que as pessoas e toda a natureza necessitam, para que a dignidade esteja presente como está colocado no universo, por um ser divino (Deus).

Como posso destruir pessoas e toda a natureza com uso indiscriminado da violência, da poluição do ar, água e solo? Se tudo isso faz parte da minha vida e me envolve para que eu possa sentir-me amado e junto deste Deus, com tudo o que ele constituiu para que eu compartilhe da sua presença, através dos benefícios para o meu corpo, seja  pelo ar que respiro, o alimento e o agasalho e tudo o que está colocado com ordem para transpirar a paz verdadeira.

A vida merece ser vivida na sua totalidade e não encurtada ou diminuída com a morte física de pessoas, do meio ambiente com todas as espécies existentes,  pois as agressões violentas não fazem parte somente do contexto humano, mas de todo  ecossistema que sofre pela degradação, na infusão do uso indiscriminado de agrotóxicos, queimadas, desmatamentos, também de combustíveis gerados pelas altas tecnologias e que atinge a todos nós que fazemos parte deste pronome.

Também existem outros tipos de violência que podem causar grandes desconfortos para nossa alma. Essas violências são a fermentação da raiva, ciúme, ódio, mentiras e tudo o que é formulado no nosso interior. São manifestações pessoais que podem atingir o pronome “nós”. Exemplo disso são as guerras, roubos, rivalidades entre as pessoas, uso de drogas, estupros, assédios de várias maneiras, corrupção e tantos outros…

É preciso saber integrar a nossa fé ao compromisso social,  consultando a nossa consciência com análises profundas sobre os fundamentos da razão na nossa existência. E procurar respeitar a manifestação da liberdade que existe em cada espécie, com suas razões de existir. Não se pode desfazer a competência das respostas que estão escritas com amor em nosso coração por Deus, nem apagar essa beleza externa de nossa alma que é a integração do pluralismo no pronome NÓS, como fonte de esperança na condição humana

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