Rabiscos do Silêncio – Acompanhados pelo ser e pelo ter – Portela Online
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Rabiscos do Silêncio – Acompanhados pelo ser e pelo ter

 

Na posse do meu eu existe a manifestação das dimensões do ser e do ter, as quais fazem mergulhar nossas intenções no objetivo final da vida. Nesse sentido tanto o ser como o ter fazem parte da natureza humana. Mas é preciso saber reconhecer o valor que devemos empreender com nossa atitude fazendo  bom uso da consciência.

E quando existe esse mergulho do saber usar o ter, como complemento no ser, tudo se transforma em nossa vida e passamos a ver as outras pessoas com amor, porque se compreende a dimensão que elas podem representar na individualidade do meu eu, tendo sempre um olhar sadio, respeitoso e organizado por tudo que o outro representa para a minha existência.

Pelo contrário pode acontecer a ruptura desse amor na dimensão do respeito pelo ser, tornando as outras pessoas objetos de satisfações pessoais e a dominação penetra toda a em nossa personalidade e se permanece  somente no ter, anulando o crescimento do outro em nós. Perde-se o sentido de buscar acolher as angústias, amarguras e tristezas que se captam no mistério de cada ser humano.

Todo ser humano necessita da presença do outro para que possa marcar a sua vida com diálogo, assim fazendo com que o amor tenha voz e vez de se manifestar como fonte do equilíbrio no ser. E o ser humano não pode viver distante da verdade, da paz, da solidariedade e da acolhida, pois isso empobrece a fé, a coragem e o dinamismo que deve existir no coração das pessoas.

Mas quando ao contrário, existe esse equilíbrio entre o ser e o ter, poderemos  ver a dimensão do outro pelo espelho da verdade e facilmente perceberemos o silêncio dos que se encontram no lado oposto das nossas vidas. São todas aquelas pessoas que sofrem pela coordenação imoral na exploração do ter, prevalecendo o acúmulo de bens materiais para sustentar o capitalismo desenfreado. A exploração é muito prejudicial para a saúde moral da sociedade, pois são vidas em jogo. E onde existe vida deve haver proteção, partilha e compreensão para que as necessidades particulares sejam supridas.

Quando se aplica o ter com o ser nas dimensões de igualdade, as pessoas são vistas pela totalidade de suas existências. E todos se ajudam, ajustando suas ideias com fé, esperança e amor. E o outro é visto como oportunidade para o nosso crescimento numa integração de experiências de vida, tudo se completa nas associações de ideais. Mas quando o outro é visto como meio de sugar mais bens materiais, os seus direitos à vida ou a sua cultura,  maneira de pensar,  a vida enfim, perde o verdadeiro sentido.

Isso ocorre porque se quebra o valor que o outro necessita ter dentro da sua própria vida. E com tantos recursos que a Terra possui como meio de sobrevivência e convivência, é inadmissível que existam tantas pessoas passando fome, frio e padecendo das mais conturbadas necessidades corpóreas. Onde o ter é usado como fuga do ser,  num sistema que faz esquecer a divisão da matéria que passa por um sólido aperfeiçoamento da alma.

O humanismo precisa ser despertado pelos caminhos do compromisso social, isto é, ver a dimensão do que está dentro e fora de mim, sem atrapalhar a ordem e a estrutura das outras pessoas com violência, corrupção, mentira e ignorância, pois isso sufoca o ser e desorganiza o ter, esvaziando a percepção do sentimento do amor. E o ter sozinho diz respeito a aqui como objeto das minhas satisfações pessoais, mas quando acontece a junção do ter com o ser, a vida ganha uma grande transformação em nossa consciência.

E estamos neste mundo, não para destruirmos uns aos outros, mas para buscar constantemente pela esperança, entendimento, fé e amor. É preciso resgatar o gosto pela liberdade das pessoas na relação eu-tu como condição de sentir a presença de Deus como ser junto de nós e não fora da nossa particularidade ou realidade. Um ser que nos ama com amor incondicional e fez tudo pela organização do seu ter no espírito e na matéria.

Vivamos essa experiência em nossa vida iluminando as pessoas com a clareza da luz divina no ser, fazendo uma constante busca de reconhecimento no ter, com mais amor, prosperidade e motivação. Também tendo respeito pela liberdade criadora de Deus. Ele  que fez tudo no seu ter e justificou a sua presença no nosso ser para que pudéssemos vivenciar as coisas desse mundo como algo transitório, mas com abrangência até na felicidade permanente, quando formos justificados por tudo o que é visto com verdade, pela linguagem da nossa fé.

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