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Rabiscos do Silêncio – Bem em Comum

 

A natureza nos ensina a vivermos o lado bom e positivo da vida. Mas ela também nos motiva a integrar-nos com tudo o que está colocado no universo como parte do bem comum e do amor que precisamos ter com as criaturas que foram colocadas a nossa disposição para podermos nos alimentar, nos vestir ou simplesmente contemplar essas grandes riquezas que contem vida dentro de si.

Vemos assim como tudo está colocado para o nosso bem e fomenta a busca de uma convivência fraterna, independente da posição social que ocupamos na sociedade, sem distinção de raça, cor, língua ou nacionalidade em que estamos inseridos neste universo. Cada um de nós tem a sua função dentro do envolvimento com a sociedade numa sintonia que se faz perceptível pelas escolhas feitas na vida.

E o bem em comum é essa sintonia da perfeição que a natureza nos ensina e revela sem excluir as pessoas por serem negras, brancas, indígenas, pardos ou por falarem alemão, espanhol, português, italiano ou polonês. Vejamos o exemplo da laranjeira que produz frutos saborosos sem esconder, camuflar ou tornar ácidas suas laranjas para determinadas pessoas e revelar-se boa, doce e gostosa para outras, mas coloca os seus frutos na mesma dimensão a quem quiser deliciar-se do seu bom gosto e nutrientes.

Mas o bem em comum também é saber colocar os dons a serviço da sociedade e não criar barreiras entre as pessoas. Neste sentido a natureza em sua forma nos ensina a termos a humildade para esperar o tempo a fim de que os frutos da nossa vida possam madurar com esperança, amor e confiança, mostrando-nos capazes de trabalhar com honestidade, para que todas as pessoas possam se beneficiar dos frutos bons e saudáveis na comunidade e que muitas vezes surgem as barreiras da desonestidade, do ciúme e da incredulidade, ao quais prejudicam o crescimento prático dos frutos da nossa vida.

E muitos desses frutos não conseguem se desenvolver sem receber a chuva e o sol que transmitem vida, através do cumprimento da função que vem do auxilio da terra. Também as árvores não guardam suas gentilezas em si mesmas, mas fazem um grande bem pela humanidade purificando o ar da poluição, pela absorção do gás carbônico e a elaboração da fotossíntese. Isso nos remete a solidez da nossa vida, que precisa constantemente estar interligada aos outros na comunhão do amor, solidariedade e caridade, sabendo receber os problemas e dificuldades que se apresentam a quem passa pelo caminho da nossa existência.

Quantas brigas, desavenças e guerras poderiam ser evitadas se fossem respeitados os valores da partilha na comunhão e do respeito que cada um precisa ter sobre a divisão de territórios, da consciência e do pensamento. Esse respeito passa pela transformação da teoria da mentira, do egoísmo e do desprezo para uma vida nova na qual prevaleça a prática do amor, da coragem e da fé. Pois cada pessoa tem a sua maneira própria de ser e de agir dentro da sociedade.

Precisamos aprender a despoluir os ambientes de convivências improdutivas entre as pessoas. Isso é possível ajudando-nos mutuamente para que o bem comum seja colocado à disposição de todos os que precisarem de nossa ajuda, em todas as dificuldades que se apresentarem ao limite da compreensão das suas vidas. E são muitas pessoas que precisam dessa nossa compreensão para poder respirar novos ares na sua existência, através da valorosa fotossíntese do amor, do perdão e da alegria.

E a vida com sua leveza nos faz olhar para os bons e saborosos frutos que se originam das pessoas. Frutos da compreensão, motivação e partilha. Mas esses frutos devem ser compartilhados com todas as pessoas que precisam de nosso apoio, pois não podemos guardá-los em nosso comodismo e individualismo, porque fatalmente se tornam sem sabor, amargos, azedos pela falta de partilha. E pensando que todos os frutos estão protegidos por cascas, percebemos que talvez seja para que possamos dispor do tempo necessário para sua degustação. Mesmo assim às vezes são danificados por insetos ou pássaros que instintivamente se alimentam desses frutos e interferem no gosto original.

Nossa vida é semelhante às arvores que fazem um grande bem para a humanidade, sem distinção, mas colocam tudo o que a natureza lhes fornece a disposição para o bem comum. Também precisamos estar integrados com os demais, com as raízes da dignidade, com o tronco da verdade, com os galhos da felicidade… Os frutos devem permanecer protegidos com suas cascas, bloqueando o quanto possível o ataque dos insetos da mentira, valorizando a vida com o sol da esperança e a chuva da acolhida pelo lado bom e positivo que existe em cada um de nós.

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