Rabiscos do Silêncio – Sementes na terra

 

A terra é igual a um ser vivo e assim sendo necessita de respeito, amor e integração com as pessoas, a natureza e Deus. Ela nos fornece diariamente o alimento que colocamos na mesa  como as frutas e verduras. Também o agasalho, as roupas e calçados, os remédios naturais e os industrializados, enfim todas as coisas vêm da terra e voltam para ela numa sintonia perfeita.

Mas tudo foi feito para que nós vivêssemos sentindo a beleza das árvores, rios, córregos, plantas, das flores com seus perfumes, animais com suas diversas espécies, na mais linda integração e harmonia entre o equilíbrio e o respeito que a terra necessita. Uma das formas mais corretas de fazer isso é alimentando-nos corretamente através da extração, produção e diversificação de alimentos livres de agrotóxicos para a busca da saciedade na saúde do corpo.

Porém, como a terra é bem dinâmica e sabe aceitar a manifestação humana com passividade, não interfere na criação de novas ideias que o progresso e o capitalismo vêm implantando na sociedade. O exemplo disso vem da modificação das sementes crioulas em transgênicas, que representa a exploração da natureza em favor da multinacional Monsanto, que veio se estabelecendo com a ideia de que acabaria com a fome do planeta e também tornaria a vida mais lucrativa em termos de renda.

E as pessoas aceitaram a ideia como sendo a cópia da revolução humana. Para o comportamento de mercado foi uma grande conquista, mas para a natureza, a terra e a saúde humana tem sido uma interferência negativa enorme. Isso porque se usa agrotóxicos em todas  as  fases da planta: germinação, crescimento e colheita, não ficando estes somente alojados nas sementes, mas todo o ecossistema sofre de cargas negativas, o solo, água e o ar, sendo o último destino deles o estômago humano, onde provocam muitas doenças relacionadas a alimentação, dentre elas o câncer.

O que isso sugere para o novo modelo de produção? Que se estimule o bom e saudável hábito de produção orgânica que traz saúde, saciedade e não agride o meio ambiente. Essa mudança se percebe na prática ao colocarmos o alimento transgênico na panela ou no prato fica algo muito estranho, com uma cor branca, falta de sabor e um cheiro desagradável. Diferentemente quando se inverte essa prática usando-se o alimento orgânico, tudo se associa: cor, sabor e odor percebidos são agradáveis e atraem o paladar, pois são produzidos com a sabedoria da natureza, quando a terra recebe as sementes sem modificação e produz-se em harmonia com o meio ambiente, alimentos livres de agrotóxicos.

Mas para que essa prática não esmoreça e possamos ter um alimento sadio e livre de agrotóxicos cotidianamente, visando o bem comum e não a exploração por uma cultura das multinacionais, foi criado em Tenente Portela, a exemplo de outros municípios que vem adotando essa prática, a associação dos Agricultores Guardiões da Agrobiodiversidade, (AGABIO). Ela conta com  parcerias da Emater, Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Banco do Brasil,  Prefeitura Municipal de Tenente Portela, Embrapa Clima Temperado, Comissão de Produção Orgânica no RS e Ministério da Agricultura e Abastecimento e Paróquia Evangélica de Confissão Luterana do Brasil . Tem como coordenador atual do projeto o Sr. Eder Paulo Pandolfo.

E como tudo nesta vida deve ser buscado visando o bem do próximo, os agricultores juntamente com os indígenas e as instituições acima citadas,  se organizaram e comercializam os produtos orgânicos de maneira bem presente nas feiras que são realizadas todas as primeiras quartas-feiras de cada mês na praça da Igreja Matriz de Tenente Portela, das 7hs e 30 min, até ás 12hs. E duas das feiras são realizadas de maneira mais ampla na Praça do Índio, cuja quinta edição foi no dia 26 de Abril.  O evento sempre procura aproximar as pessoas da cidade e o homem do campo, através da biodiversidade rural e com apresentação de seus produtos, entre eles a farinha de milho, o feijão, o arroz, o mel, cucas, pães, bolachas e outros.

O projeto Juventude Rural que promove o desenvolvimento sustentável com objetivo de fomentar essa prática de maneira, já entregou às famílias associadas à AGABIO diversos equipamentos agrícolas para a produção e beneficiamento artesanal, também equipamentos de informática para o acesso dos jovens rurais à tecnologia, buscando junto da sociedade a inclusão do homem rural na comunicação.  E o projeto conta ainda com a construção de um moinho colonial, para beneficiamento dos alimentos agroecológicos e orgânicos.

São ações que precisam ser incentivadas, valorizadas e incrementadas para o bem de todos nós. Além disso, beneficiam o meio ambiente com sua prática inteligente, mantém as pessoas com mais saúde e o agricultor se sente valorizado produzindo vida com a vida, dentro da confiança alimentar que promove.

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