Rabiscos do Silêncio: Cadê o meu sapato? – Por Carlos Staczewski

 

É bom recordar da nossa infância, fazer uma pequena viagem ao subconsciente e procurar alimentar esses momentos com a saudade  de tudo o que se encontra lá alojado,  ir paginando cada lembrança como se fosse num livro que vamos apreciando e tirando as nossas conclusões.

Todos nós possuímos o consciente, o subconsciente e o inconsciente, que nos fazem sermos pessoas íntegras em nosso presente, passado, e também no planejamento do futuro. A vida é bonita e nos faz mergulhar nessa beleza de recordações contidas na dimensão de nossa mente que trabalha a nosso favor.

Saber consultar o subconsciente nos permite uma análise profunda das nossas vidas e aproximam nosso interesse em relatar as pegadas que deixamos para trás para que todas as pessoas possam compartilhar desses momentos numa direção livre e espontânea. Ajudam a desfazer alguns desencantos que sofremos e a escrever outras páginas na nossa vida com o presente que está em nosso caminho.

Que bom ter esta sintonia do prazer de recordar. Mas é preciso valorizar o subconsciente das outras pessoas, principalmente das crianças preenchendo de amor, carinho e ternura, para que o futuro delas seja de boas e belas recordações. E tenham uma vida sólida na busca constante do estar livres para associarem o estudo e o lazer, juntamente  com a vida em família e  sociedade, como membros que saibam valorizar cada fase das suas intenções, pelos exemplos que recebem e passam de geração em geração.

Baseado nisso, outro dia estive com meu pensamento voltado para  recordações e fiquei meditando e passando as páginas da minha história, como uma leitura bem pausada e tranquila. Foi quando virei o subconsciente e avistei uma imagem que me chamou atenção: vi a mim mesmo correndo com o primeiro par de sapatos que ganhei dos meus pais. Também ficou registrado como meus primeiros passos naquela casa, no assoalho de tábuas do pé  de ipê roxo que meu pai usou para construir.

Visualizava nitidamente minha mãe, me orientando a pisar com cuidado e a não correr tanto pelo assoalho com aqueles sapatos. Naquela noite quase não dormi de contente, coloquei-os perto da cama e no outro dia acordei-me bem de cedinho, rezei as orações que meus pais ensinaram e quando fui colocá-los nos meus pés… Estranhamente havia só um deles, o do pé esquerdo. Meu irmão mais moço fez uma brincadeira. Guardou e ficou quieto. Cadê meu sapato?

Procurei por todos os cantos da casa e nada de encontrar aquele precioso presente. Foi então que apresentei a queixa para minha mãe. Meus dois irmãos estavam do outro lado da casa (morrendo de rir). Procuramos mais um pouco e então minha mãe chamou os dois para que desfizessem a confusão. Porém, para deixar-me mais nervosinho, começaram a negar o feito. Mas com a insistência da mãe eles acabaram mostrando onde haviam deixado: perto da escada.

Daquele dia em diante só usei os sapatos para ir a passeios na casa dos meus avôs maternos, na igreja e, mais tarde,  no meu primeiro ano escolar. Foram momentos que ficaram registrados no subconsciente e quando nós começamos a pensar com muita concentração,  fluem com  naturalidade. É gratificante  proporcionar-nos essa viagem da memória. Dar essa oportunidade para que a consciência possa valorizá-los

Mas também faz bem plantarmos sementes de amor, justiça, perdão e alegria na consciência  das outras pessoas, a fim de que o subconsciente tenha um terreno fértil de ações transformadoras e todos possamos nos deliciarmos com os frutos saborosos da comunhão, integração e socialização, ajudando-nos mutuamente e tendo  um olhar sadio, iluminado e valoroso sobre tudo o que representa uma convivência fraterna.

 

Artigos relacionados

Fechar
%d blogueiros gostam disto: