Em 2 anos, RS é o Estado que mais retrocedeu em português e matemática no ensino médio – Portela Online
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Em 2 anos, RS é o Estado que mais retrocedeu em português e matemática no ensino médio

 

Foto: Reprodução USP Imagens - Marcos Santos
Foto: Reprodução USP Imagens – Marcos Santos

Dados divulgados pelo Movimento Todos pela Educação mostram que o Rio Grande do Sul é a unidade da federação que mais retrocedeu nos indicadores de qualidade no fim do ensino médio. Apenas 8,9% dos jovens concluíram o 3º ano com aprendizado considerado adequado em matemática em 2015, uma queda de 4,9 pontos percentuais em relação a 2013. Em português a queda foi de 5,5 pontos, com 32,4% dos alunos sabendo o conteúdo básico. Em matemática, a queda também foi verificada no ensino fundamental.

A situação do ensino médio é pior e mostra que apenas outros quatro estados tiveram piora no desempenho em português: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Minas Gerais. Em matemática, 24 estados retrocederam. No entanto, em nenhuma das classificações houve uma queda tão significativa quanto a verificada no ensino médio gaúcho.

Os dados mostram que o Rio Grande do Sul está longe da meta traçada pelo Todos pela Educação de chegar a 2015 com pelo menos metade dos alunos com aprendizado adequado em português e matemática no 3º ano do ensino médio. O levantamento considera o resultado de estudantes de escolas públicas e particulares.

O gerente-geral do Movimento Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, afirma que o retrocesso do Rio Grande do Sul é preocupante, principalmente levando em conta que o estado apresenta um nível socioeconômico elevado – indicador que impacta no desempenho dos alunos nas avaliações.

“Não é só o resultado ruim que é preocupante, mas considerando que estados que têm nível socioeconômico inferiores e melhores resultados, isso mostra que o Rio Grande do Sul está deixando muito a desejar”, afirma.

Entre os fatores para o retrocesso, ele cita a descontinuidade de políticas na educação por conta das trocas nas gestões estaduais e a desvalorização dos professores, com salários baixos e falta de perspectivas de crescimento na carreira.

Apesar do retrocesso, os percentuais apresentados pelo Estado estão acima da média de todo o país. Em matemática 7,3% dos alunos brasileiros tiveram desempenho adequado, em português o índice ficou em 27,5%. O levantamento considera o resultado de estudantes de escolas públicas e particulares na Prova Brasil e no Sistema e do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Ministério da Educação.

ENSINO MÉDIO – ESTADOS
PORTUGUÊS   MATEMÁTICA  
  2013 2015 2013 2015
RS 37,9 32,4 9,3 7,3
SP 35,9 32,3 5 4,6
RJ 36 34,4 3,4 2,7
PB 22,6 22 2,9 4,4
MG 30,2 30 2,7 4,3
AC 21,7 21,7 3,5 2,9
RO 24,2 24,2 4,1 2,6
CE 21,2 21,5 4,8 3,5
Brasil 27,2 27,5 2,8 1,5
GO 28,6 28,9 7,6 5,2
TO 16,9 17,5 6,6 6
AP 17,4 18,2 3,8 3,8
DF 40,2 41,1 7,3 4,8
BA 16,2 17,5 8,1 7
SC 31,5 32,8 3,8 3,2
MS 32,5 34,1 6 5,4
PI 18,9 20,7 4,6 4
PE 25 27,7 12,4 9,6
RN 15,6 18,5 13,1 12,7
MA 12,2 15,1 13,1 9,3
AL 12,6 15,9 11,7 9
MT 20,3 23,7 11 8,9
RR 18,8 22,2 12,4 9,3
SE 19,2 23 13,8 8,9
PA 14,8 19 8,9 8,1
PR 27,3 33,2 5,9 4,9
ES 28,6 35,9 8,6 6,8
AM 14,6 23,7 17 12,8

Ensino Fundamental

A levantamento do Todos pela Educação considerou também o desempenho de estudantes de todo o país do 5º e do 9º anos do Ensino Fundamental. O Rio Grande do Sul só conseguiu superar a meta em português no quinto ano, com 59,4% de alunos com aprendizado adequado e um avanço de 5,5 pontos em relação a 2013. Em matemática houve uma pequena retração, ficando em 48,4%.

No 9º ano do ensino fundamental,  o Estado ficou abaixo da meta nas duas disciplinas. Em português, no entanto, houve pequena melhora em relação a 2013, passando de 35,1% para 36% de estudantes com aprendizado adequado. Em matemática, além de ficar longe da meta, houve retração: de 19,6% para 17,8% em 2015.

De acordo com o gerente-geral do Todos pela Educação, os dados mostram que os avanços estão se concretizando na primeira etapa do ensino fundamental, mas ficam estagnados no ciclo final e pioram de vez no ensino médio.

“O jovem não mais enxerga a escola como um espaço que faça sentido para a sua vida, já que está descolada dos seus interesses”, diz ele ao citar a estrutura curricular extensa e sem conexão com o que os estudantes querem seguir no futuro.

Para ele, a reforma do ensino médio apresentada pelo governo Michel Temer é positiva no sentido de propor mudança nesse currículo. Mas o especialista critica a falta de foco no professor.

“Sem um olhar cuidadoso para a figura do professor, a reforma não renderá os resultados que a gente espera. Nenhuma política conseguirá fazer a transformação em sala de aula sozinha, porque quem faz isso é  o professor”, afirma ao reforçar a necessidade de salário atrativo e formação de qualidade aos educadores.

Em 2006, ano de sua criação, o TPE definiu cinco metas para melhorar a educação do país até 2022, ano do bicentenário da Independência. A meta 3 aponta para a necessidade de que todas as crianças tenham aprendizado adequado ao seu ano.

Secretário defende metas para escolas

Em entrevista a um programa da Rádio Gaúcha nesta quarta-feira, 18 de janeiro, o secretário Estadual da Educação, Luís Antônio Alcoba de Freitas reconheceu que o desempenho é ruim e criticou a implantação do ensino médio politécnico no governo anterior. Segundo ele, a mudança curricular não veio acompanhada de formação pedagógica aos professores.

Alcoba também anunciou a criação de metas para todas as escolas estaduais com objetivo de garantir avanços no aprendizado dos alunos. Em fevereiro o governo vai divulgar os resultados das provas do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar (Saers), aplicadas em dezembro nas escolas da rede, e, a partir daí, será feito o mapeamento da situação de cada instituição.

“Vamos trabalhar indicadores, metas para que as escolas possam melhorar em relação a elas mesmas”.

Segundo Alcoba, a avaliação do governo federal – que embasa os dados do Todos pela Educação – é feita de forma amostral no ensino médio. “Com o Saers conseguimos mapear a situação de todas as escolas”, justificou.

Fonte: Rádio Gaúcha

 

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