O Internacional não morreu – Por Carlos Staczewski

O futebol o ano de 2016 ficará marcado com a descida de um dos grandes integrantes da série A para a série B do campeonato brasileiro.  O Internacional que tantas alegrias tem proporcionado ao torcedor  colorado, agora precisará alimentar uma outra realidade e integrar-se aos times menos capacitados de disputar a elite do nosso futebol.

Demorou mas aconteceu e agora dos cinco integrantes da série A, restaram quatro: São Paulo, Flamengo, Santos  e  Cruzeiro, os quais ainda não caíram para a série B. Deixando a torcida colorada com aquela sensação pesada ao ver o seu time do coração se submeter a outra dimensão do futebol, jamais provada em anos anteriores.  Nos altos e baixos que todos nós temos nas nossas vidas o Internacional não soube alimentar e tirar lições para um equilíbrio que o credenciasse a permanência na série A.

Mas o que fez com que o Internacional caísse para a série B foram diversos fatores, dentre eles a  falta de planejamento na venda e compra de jogadores. Faltou também uma maior união e comprometimento dos jogadores em busca de resultados vitoriosos, porque parecia que o Internacional desaprendera a jogar futebol, pois não entravam em campo com aquela vontade, determinação e amor pelo peso que é a representação dessa camiseta.  A exceção foram o goleiro Danilo Fernandes, o lateral Wiliam, os meios campistas Valdívia e Rodrigo Dourado. Também houve falta de oportunidades para sequência de jogos a alguns jogadores.

E o que contaminou o ambiente de vestiário foram as brigas internas entre jogadores,  dirigentes e comissão técnica, porque para um clube grande trocar de técnico quatro vezes em um só campeonato é sinal que algo errado estava acontecendo. Aquela discussão seguida de agressão ente os jogadores Wiliam e Anderson era o indício de que algo muito grave estava acontecendo. Prova disso que o Inter  vinha bem no campeonato e de líder naufragou na série B  e quando o ambiente vai mal, compromete todo o rendimento dentro de campo, isto é válido para todos os setores da sociedade.

Outro fator importante que colaborou para que o Internacional decaísse na busca das vitórias foi a falta de um líder dentro e fora das quatro linhas do campo. Depois que o D´Alessandro saiu, há um ano atrás, o Internacional ficou refém desse líder que sabia dialogar e ajudar na organização da equipe para que os demais jogadores se espelhassem e  buscassem o caminho das vitórias. E a diretoria não soube preparar um substituto para o D`Ale. Agora com a volta do argentino e com o Marcelo Medeiros, que assume a nova diretoria, há um novo espírito esportivo de renovação para que a nação colorada possa celebrar a alegria das grandes vitórias e conquistas.

Mas a segunda divisão não é tão ruim assim, isto porque o rival mais próximo do Internacional, o Grêmio, foi uma vez e parece que gostou da série B, voltando logo em seguida. Porém a série B pode servir de um grande aprendizado, na busca de novas experiências, pois o futebol não pode se alimentar somente de vitórias.  Se assim fosse teríamos sempre o mesmo vencedor e  perderia  o encanto das emoções. É preciso saber alimentar as surpresas que o futebol nos apresenta mesmo em meio às derrotas.

E de uma decaída podem se tirar muitas lições, como aconteceu com grandes clubes do futebol brasileiro e mundial, a exemplo do Palmeiras, que é o atual campeão brasileiro do próprio Grêmio, atual campeão da copa do Brasil, Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro, Internazionale da Itália, Racing da Argentina e tantos outros. A segunda divisão não é o fim de tudo e também não anula as grandes conquistas confirmadas, mas uma retomada da confiança e credibilidade junto ao torcedor.

Torcedor que sabe torcer com esperança e não coloca o futebol sendo meio para provocar brigas, discussões, inimizades ou intrigas, mas sobretudo que vê no seu time do coração um meio de buscar a fonte de alegria e equilíbrio para poder suprir outros dissabores que a sociedade apresenta, sabe o real valor do esporte. Claro, convenhamos, sempre é válido algum sarro, uma brincadeira de bom gosto ou piadinha sem ofensa, afinal numa rivalidade pura, simples e sadia, o bom humor deve prevalecer. Este é o objetivo do futebol:  integrar e não de dispersar as amizades constituídas.

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