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Rabiscos do Silêncio: Presença na enfermidade – Por Carlos Staczewski

 

rabiscos-2A enfermidade é uma realidade dolorosa na existência humana. Ela nos coloca diante da finitude, nos mostrando os limites da nossa existência e vem associada a dor física. Mas também poderá gerar outros tipos de sofrimentos e distúrbios na pessoa, frutos de uma sociedade moderna e funcional.

E o sofrimento quando for encarado de maneira individualista em que o doente é colocado longe  do convívio social faz com que a pessoa, automaticamente, sofra de outros fatores externos que estão ligados a angústia e a depressão, porque sentirá a ausência de um tratamento acolhedor e de uma palavra amiga ou de uma presença que saiba compreender a sua dor.

É preciso resgatar os valores que o doente tem e tratá-lo com a dimensão de amor, carinho, atenção e respeito,  a fim de que ele sinta dentro de si a coragem, o dinamismo e o bem estar, mesmo frente ao sofrimento que estiver enfrentado, dando  suporte integrador que o faça sentir-se aliviado e abastecido da fé pela transição da vida e do momento que estiver enfrentado.

Fazer da doença uma oportunidade para  nosso crescimento espiritual é possível quando, colocando-nos no lugar do enfermo, através dos caminhos do fortalecimento da alma. É essencial saber trabalhar a paciência, com retribuição na condição que se encontra a não isolá-lo do convívio, porque isso quebra o ciclo de ver o doente integrado com nossa capacidade de aceitá-lo em sua debilitação seja ela física, emocional ou psicológica.

Visitá-lo  em sua residência, no hospital ou casa de recuperação, para um amadurecimento prático na espontaneidade da nossa vida nos fortalece e faz sentirmos em sintonia com a responsabilidade dos que sofrem a dor do esquecimento na sua enfermidade. Quem está enfermo deve ser tratado com a riqueza da nossa perceptibilidade de sintonia com os que sofrem. Não diminuí-lo por estar com sua vida em outro patamar de respostas desfavoráveis no humor, motivação e alegria, porque na maioria das vezes a pessoa doente não consegue transmitir a simpatia que sempre a acompanhou.

É comum que a pessoa enferma sofra muitas privações: noites mal dormidas, pensamentos desorganizados, dor contínua, alimentação diferenciada e ansiedade. Tudo isso gera stress e diminui sensivelmente a capacidade do corpo de produzir motivação externa porque a energia positiva é transferida ou se desfez em decorrência do seu sofrimento. Precisamos neutralizar essa maneira de ver as pessoas enfermas pela culpa, insensibilidade e isolamento.

O carinho, a presença e a afetividade são fundamentais para que o doente se sinta despertado a ver o lado humano da sociabilidade. Não ter medo de tocá-lo, porque esse exercício conduz ao nosso coração, ali  se sente a presença do amor pela paz que o enfermo precisa receber. Esse é o verdadeiro caminho da misericórdia humana.

Valorizar estes momentos porque nos aproximam sempre mais de Deus e aumentam nossa fé naquilo que é fundamental na transparência da alma e não iludir o enfermo com milagres transitórios, mas saber entregá-lo à compreensão divina fará a diferença pois de lá  vem a resposta verdadeira da vontade de Deus.

Abrir os horizontes de experiências com os enfermos, colocando-se a sua disposição para escuta-los, ajudando-os quando as suas forças físicas lhes falhar e rezar por eles. Afim de que tudo seja contemplado com a justificativa resplandecente da bênção da nossa construção espiritual. Com esta justificativa e propósitos poremos sentir na nossa  consciência o valor da presença junto dos que sofrem de alguma privação  na vida. E teremos condições de contemplar a realeza do sentido da nossa existência pela mediação da esperança e fé num mundo novo transfigurado pela lógica da vida.

 

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